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Entrevista Juliana Lima – Ironman em Foz de Iguaçu

A entrevista de hoje é com a minha irmã, Juliana Lima, que na semana passada fez uma prova de meio ironman em Foz de Iguaçu e me contou todos os detalhes dessa experiência incrível. Admiro muito a coragem e determinação dela em tudo, e acho que essa prova reflete muito quem ela é e como ela encara a vida. Espero que vocês gostem da entrevista e quem sabe se animem a correr ou fazer mais exercícios!

Entrevista com Juliana Lima – Meio Ironman em Foz de Iguaçu

1- Antes de tudo, o que é o Ironman?

R: Ironman é uma prova de triatlon global. No Brasil, existem atualmente duas provas de Ironman (Florianópolis e Fortaleza) e duas provas de meio Ironman (Foz de Iguaçu e Brasilia). Uma prova de Iron é tipicamente composta por 3.800m de natação, 180km de bike e 42km de corrida. O meio Iron é exatamente metade: 1.900m de natação, 90km de bike e 21km de corrida. Uma curiosidade: se somarmos essas distâncias, teremos aproximadamente 112,5km, que equivalem a 70,3 milhas. Por isso essa prova também é conhecida como Ironman 70.3.

No último final de semana (30/08/14) eu fui para Foz com um casal de amigos queridos e meu marido (no papel de fotógrafo oficial da equipe) para fazer o 70.3 e vou contar um pouco dessa experiência incrível nesse post.

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2- Como foi o treino para se preparar para o Ironman?

R: Normalmente, quando uma pessoa decide fazer uma prova como essa, é comum contratar uma assessoria esportiva para obter orientação de especialistas. Existem muitas assessorias boas em São Paulo. Nós fizemos com a Race. Eles oferecem planilhas de treinamento, orientação e suporte nos treinos. É interessante também buscar ajuda de nutricionista porque ao longo do tempo os treinos ficam mais pesados, e também porque é importante ter uma boa estratégia de alimentação para o dia da prova (são muitas horas de exercício!).

Meu caso foi longe do ideal: como minha rotina de trabalho é meio pesada, muitas vezes eu saia tarde do banco e não conseguia acordar cedo no dia seguinte para treinar. Então me esforçava para faltar o mínimo possível ao longo da semana e compensava o que dava nos finais de semana. Um treino típico é fazer cerca de 1hr-1.5hr de exercício por dia durante a semana (alternando entre corrida, natação e bike conforme a orientação da planilha) e deixar os treinos mais longos, com transição entre os esportes, para os finais de semana.

Preciso admitir que nas últimas semanas antes da prova meus finais de semana ficaram um pouco chatos, já que as vezes o treino era de aproximadamente 5hrs no sábado e umas 3hrs no domingo. Tudo fica muito mais gostoso com companhia: amigos, respectivos, outras pessoas da equipe de assessoria… por isso, sempre vale a pena chamar alguém para ir junto, pois o tempo preparando também fica mais divertido!

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3- Qual foi a sensação ao cruzar a linha de chegada?

R: Foi emocionante, eu chorei. Como não me preparei tão bem quanto eu gostaria, eu realmente não sabia se ia conseguir terminar a prova. Para piorar, eu nunca tinha feito um triatlon na vida, e a logística não é nada simples. Depois de 7hr e 16min cruzei a linha de chegada, me sentindo muito inteira e extremamente feliz!! Meu tempo foi ruim, mas quem se importa, ne?? Meu desafio era completar a prova e meu preparo estava muito aquém do necessário. Então, foi uma alegria enorme chegar ao final.

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4- Qual foi a maior dificuldade do percurso?

R: Bom, foram várias. Eu tenho medo de nadar em locais abertos. Não gosto de água fria e sempre treino em piscina quentinha. Nadar em mar ou em represa é totalmente diferente. Fiquei assustada e um pouco desorientada no começo, não sabia para que lado nadar. Me deu medo. Minha amiga ficou um pouco comigo e logo nos separamos. Para acalmar, nadei peito nos primeiros metros e depois segui nadando crawl. De qualquer forma a natação não é a parte mais longa da prova, então passou rápido. Quando saí da água tinha certeza que iria conseguir completar a prova.

Bike também não é o meu forte. Como eu tenho preguiça da logística da bicicleta, muitas vezes treino em bike de spinning na academia. Isso me deixou pouco preparada para fazer 90km na rua e o efeito prático é que muitas pessoas me ultrapassaram.

Com isso, cheguei na maior dificuldade do percurso: fazer praticamente a prova toda sozinha, isolada da massa de atletas, com muito calor (34 graus), muito sol (e nenhuma sombra) e várias subidas no percurso. Foi a primeira edição dessa prova, então o percurso não era conhecido pelos atletas e o calor nessa época do ano surpreendeu a todos nós.

São quase 900 atletas na prova, dos quais uns 650 são classificados (ou seja não estouram tempo, desistem ou descumprem alguma regra). Eu fiquei em 595, ou seja, tinha muito pouca gente atrás de mim. Na bike eu fiquei totalmente isolada e consegui contar quantas pessoas estavam atrás de mim: só 10 atletas! Na corrida eu recuperei bem e ultrapassei umas 40-50 pessoas.  Deu uma sensação boa ultrapassar vários marmanjos com cara de super atleta e vestidos com roupas de ironman :)

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5- O que vc pensava em quanto fazia as provas?

R: Nossa, não sei se eu sei a resposta para essa pergunta… tenho a impressão que passei boa parte do tempo pensando na própria prova, tentando entender o percurso, as dificuldades ou a estratégia de alimentação. Algumas horas eu relaxava um pouco, pensava sobre as outras pessoas ou sobre questões pessoais. Mas boa parte do tempo estava concentrada na prova mesmo.

6- Tem algum curiosidade sobre a prova que você quer dividir?

R: Sim! Algumas…

Primeira coisa, não tinha música! Entre os três esportes, meu favorito é a corrida. Eu adoro ligar uma música bem alta e bem animada e correr por um tempão pensando nas outras coisas que eu tenho para fazer no dia. Além disso, ouvir música correndo sempre me ajudou a correr melhor. O ritmo da música orienta meu ritmo de corrida e camufla o som da minha respiração, me ajudando a ficar menos cansada. Quando eu descobri, na véspera da prova, que não ia poder ouvir musica, fiquei chateada. Eu já sabia que não poderia pedalar ouvindo música porque é perigoso (e proibido), mas achei que poderia correr. E na verdade o que aconteceu me surpreendeu positivamente. Corri 21k debaixo de muito sol, sem música nenhuma, e após 5hrs de exercício… e o som da minha respiração não me incomodou em nada e o silencio realmente me ajudou a ter mais concentração.

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Outro ponto interessante foi o local da prova: nós nadamos no lago Iate Clube Lago de Itaipu (ICLI), depois seguimos por um trajeto de 24k de bike em direção à Usina de Itaipu, e demos três voltas de 22km dentro da própria usina. O trecho de corrida é formado por uma única volta de 21km também dentro da usina. Foi uma surpresa muito positiva! A usina é linda, super bem cuidada e durante a prova andamos por lugares muito inusitados, como por exemplo a barragem e os dutos. A vista é incrível!

A parte mais gostosa da prova foi o clima de companheirismo e solidariedade entre os atletas, staff de apoio e acompanhantes dos atletas. É difícil de explicar sem estar lá. As pessoas gritam para te animar, torcem, falam que falta pouco mesmo quando não falta, te ajudam a se vestir, beber, comer, arrumar a bike… quando um atleta cansa e decide andar, os atletas que o ultrapassam gritam para apoiá-lo, dão força, e até água. É realmente um clima muito bacana. Todos gostam de fazer esporte, desafiar seus próprios limites, curtir a prova… enfim, é uma delícia! Recomendo a todos que vivam essa experiência um dia, seja como atleta ou como acompanhante.

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7- Mesmo para quem não vai fazer, vale a pena ir assistir? Como é o clima?

R: Vale muito a pena. Expliquei um pouco do clima acima. Muitos atletas levam amigos, família e filhos. A prova é longa, mas tem lugar para sentar e comer e dá para acompanhar alguns trechos, não tudo. É um grande evento, vale muito a pena conhecer.

8- Qual a sua dica para quem quer fazer um Ironman?

R: A dica é: faça! Termine o que você começou. Aprenda a conhecer o seu corpo, respeite os limites dele, mas desafie-se. Tente fazer o seu melhor. Esporte faz bem para o corpo e para a cabeça, é uma terapia! O mais difícil são os treinos. A prova é um prazer.

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9- E pós prova, deu para conhecer um pouquinho de Foz de Iguaçu?

R: A gente fica em função da prova por dois dias. Na véspera, para retirar kits, fazer o bike check-in e preparar toda a logística. Na data da prova, apesar de a largada ser as 9:30hrs da manhã, a gente acorda as 6hrs da manhã e volta para casa no final da tarde. Depois só quer comer e dormir. No dia seguinte dá para passear numa boa. Como a prova é no sábado, precisa pedir um day-off no trabalho na sexta. Nosso voo de volta era domingo a noite, então de dia, deu tempo de dar um pulo nas cataratas. Foi muito legal!

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10 – Afinal, valeu a pena todo o esforço?

R: Muitooooooooo. Mais do que isso: foi, sem dúvida, uma das melhores experiências da minha vida. Um desafio cumprido. Fiquei metida por uma semana, me achando uma irongirl! Depois passa e a gente cai na vida real… =)

Para ver todas as fotos do Ironman em Foz de Iguaçu e saber mais sobre o evento, recomendo olhar o site oficial da prova: http://www.ironmanbrasil.com.br/2014/foz/br/

Vai para Foz de Iguaçu? Dá uma olhadinha nos hotéis do booking.com na cidade.

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Dri Lima

Dri Lima

Adriana deixou o mundo corporativo para trabalhar com suas paixões: viagem, cultura, gastronomia. Já visitou mais de 40 países e ama descobrir lugares e pessoas especiais na sua cidade (São Paulo) ou nos lugares em que visita. É fundadora do Sabiar (www.sabiar.com), uma empresa de lazer criativo que descobre e cria experiências incríveis no Brasil e no mundo.

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