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Resistência à ditadura militar – São Paulo

Quem nasceu depois dos anos 80, assim como eu, ouviu falar da Ditadura Militar assim como ouviu de Pedro Álvares Cabral, ou seja, aprendi na escola como parte da história do Brasil, mas não é da minha época…

Mas, quando paramos para analisar, a Ditadura Militar é algo muito recente e que afetou a vida da geração dos nossos pais e que obviamente ainda influencia muito as gerações mais novas. Apesar disso, alguns parecem não entender a gravidade dos fatos, já que vi na manifestação do ultimo domingo pessoas pedindo intervenção militar.

Não sou nenhuma estudiosa do tema, e aliás, conheço muito pouco sobre a história e ditadura do Brasil, mas me interesso muito por esse assunto.

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Hoje assisti o documentário Verdade 12.528 sobre as torturas e o que aconteceu com os presos políticos e parei para pensar em como ainda existe muita coisa mal explicada e jogada para baixo do tapete. Como sempre, a impunidade reina no Brasil.

Resolvi escrever esse post não para contar sobre minha opiniões políticas, mas sim sobre um tour em São Paulo, que tive o prazer de ser convidada pela assessoria de imprensa do SESC, a B4T. O tour chama “Caminhos da Resistência: Memórias da Política Paulistana” e é organizado pelo SESC Consolação. Para quem se interessar, é só acompanhar a programação no site do SESC. Aliás, além desse tour, eles tem diversos outros super interessantes. Vale a pena olhar!

Tour Caminhos da Resistência: Memórias da Política Paulistana

O tour foi acompanhado pela guia Dolores Freixa, pela historiadora Angela Fileno e pelos incríveis Marco Antônio Garbellini e William Rolderick do Canto Poético, que ilustraram a visita com músicas e poesias incríveis da época da Ditadura.

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1 – Batalha da Maria Antonia

Nos encontramos na frente do Sesc Consolação e de lá seguimos a pé até o Centro Universitário Maria Antonia, onde antigamente funcionava um predio da USP, e que foi palco de uma das grandes batalhas de resistência à ditadura. Os estudantes da USP eram radicalmente de esquerda e contra a ditadura e constantemente entravam em conflito contra os estudantes do Mackenzie, localizado na mesma rua, e que tinham um posicionamento político a favor da ditadura (não em todos os cursos da faculdade). Em outubro de 1968 aconteceu uma das principais batalhas entre as faculdades, que culminou com uma invasão da tropa de choque que entrou no prédio e agiu com muita violência.

Nós fizemos uma rápida visita ao local e a Angela Fileno nos contou detalhes do que aconteceu nesse dia, inclusive sobre os estudantes, professores e atuantes da época que hoje são pessoas conhecidas de diversos assuntos (Fernando Henrique Cardoso, era um deles!).

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Tivemos uma intervenção surpresa do Marco e William que do nada apareceram no meio da nossa roda, declamaram o poema “Narrar é resistir” de Guimarães Rosa e cantaram a música Cálice, do Chico Buarque.

2 – Antigo Presídio Tiradentes

Saímos de ônibus da Rua Maria Antonia e seguimos até o local onde era o antigo presídio Tiradentes. Inaugurado em 1852 e desativado em 1972, o presídio foi palco de torturas e violência contra presos políticos. Ele teve essa finalidade especificamente na Era Vargas e na Ditadura Militar.

Porém, na época da Ditadura, ser preso nesse presídio era uma situação boa, pois eles possuíam uma lista com os nomes dos presos e assim, as famílias podiam identificar quem estava por lá, diferente dos outros presídios, onde as pessoas simplesmente desapareciam e muitas vezes nunca mais se ouvia falar delas.

Dilma Rousseff e Monteiro Lobato foram alguns dos presos políticos que ficaram “hospedados” no Presídio Tiradentes.

Do antigo local onde era o presídio sobrou apenas o arco de entrada porque as obras do metro abalaram a estrutura do local e ele foi demolido. Por lá, tivemos mais intervenções musicais do Marco e William e ouvimos mais histórias curiosas sobre a época da Ditadura.

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3- Parque da Luz

Passamos em frente a Pinacoteca e seguimos caminhando pelo Parque da Luz, onde o Marco e o William cantaram diversas músicas da época da Ditadura, inclusive uma das minhas preferidas – Para não dizer que não falei das flores, do Geraldo Vandré, e contaram histórias e situações que eles mesmo viveram e presenciaram na época da Ditadura. Foi muito interessante!

4- Memorial da Resistência

Continuamos caminhando até o Memorial da Resistência, o lugar mais emocionante do tour. Ele é vinculado à Pinacoteca e foi criado para manter as referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil, transformando em museu a sede do que foi a DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), uma das polícias mais violentas da época da Ditadura Militar.

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Você entra no museu e se sente acuado nas antigas celas que mantêm as proporções e formatos das antigas celas dos presos políticos. Elas são pequenas, mas tinham em média de 10 a 15 pessoas em cada um. As paredes tem os rabiscos e nomes daqueles que ficaram presos por ali. Mas, o que achei mais emocionante e triste foi ouvir os relatos dos presos que foram torturados e sofreram nas mãos da polícia. Você senta dentro das celas e coloca um fone para escutar as histórias de vida de cada um deles.

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Lá também ouvimos bastante sobre o papel da DEOPS, as torturas e a situação crítica dos presos políticos. Também tivemos mais intervenções musicais e histórias interessantes.

Acabando o tour, seguimos para almoçar todos juntos no Bom Retiro e continuar o papo por lá. Recomendo a todos aqueles que se interessam pela história de São Paulo e do Brasil a fazer o tour. É realmente interessante vivenciar tudo isso e pensar que há não tanto tempo atrás pessoas que hoje estão ou estiveram no poder passaram por tantas coisas e que estão vivas para contar. O documentário Verdade 12.528 também é uma fonte de informação para quem quer saber o que pensam as famílias daqueles que perderam pessoas queridas que sumiram na época da ditadura e nunca mais foram encontradas. Triste também é pensar que aqueles que faziam parte do grupo militar e que tanto torturam e usaram da violência também estão por ai, vivos e livres dos crimes que cometeram.

Quer ver mais dicas de coisas diferentes para fazer em São Paulo? Clique aqui!

Fica a dica!

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Dri Lima

Dri Lima

Adriana deixou o mundo corporativo para trabalhar com suas paixões: viagem, cultura, gastronomia. Já visitou mais de 40 países e ama descobrir lugares e pessoas especiais na sua cidade (São Paulo) ou nos lugares em que visita. É fundadora do Sabiar (www.sabiar.com), uma empresa de lazer criativo que descobre e cria experiências incríveis no Brasil e no mundo.

3 comentáriosDixe um comentário

  • Bom dia Dri,

    Eu adorei suas postagens sobre viagens, mas achei absolutamente desnecessário os seus comentários sobre a Contra-revolução. Conheço pessoas mais velhas que viveram nessa época e foram bastante felizes. Comentam que nessa época o Brasil não tinha mortes como hoje, ou seja,hoje temos o equivalente a uma guerra civil. Quanto as mortes ocorridas durante a Ditadura nós já tivemos uma Comissão da Inverdade, pois qd apenas um lado é apontado as pessoas estão negando a história e tentando reescrevê-la o que é impossível. Quanto as torturas desse período muitas das pessoas que se dizem TORTURADAS estão no Poder. Por que será que nenhuma delas expôs jamais uma mínima cicatriz. E os mortos por aqueles que lutavam para implantar no país a Ditadura do Proletariado? Foram muitos também. Quem lutou contra a Ditadura no passado hoje está no Poder. Só que agora o nome do que tentam implantar ou já estão implantando através do Foro de SP chama-se socialismo bolivariano.A tão sonhada “Pátria Grande”. Já temos o Ditador Maduro na Venezuela e também vemos os venezuelanos passarem necessidades básicas, pois desde o papel higiênico falta.E o povo que se coloca contra a Ditadura em questão está sendo preso, torturado ou morto. Sem que o Brasil jamais tenha através do governo dito uma palavra sobre os Direitos Humanos da Venezuela.O Brasil vêm financiado obras grandiosas em países aliados ideologicamente em detrimento da população que paga impostos absurdos.

    Resumindo a meu ver caminhamos para o caos.Nunca um país foi tão roubado na História do Brasil como no governo PT. Concluo dizendo que nenhuma Ditadura serve para o Brasil.

    • Oi Vera, não sou a favor de nenhuma ditadura. Nem do PT, nem do Governo Militar, nem de nenhum outro tipo. Também concordo que hoje a situação no país está pessima… e piorando. Não ‘porque critiquei um período da história que sou a favor da situação que temos hoje.

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