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Viajar sozinha pela Europa: entrevista com Bia Gomes

viajar sozinha pela europa

Uma das coisas que mais mexe comigo é poder despertar nas pessoas a vontade de viajar, de conhecer culturas, de descobrir o diferente, de experimentar. Às vezes vejo pessoas com desejos de explorar o mundo, mas por medo, falta de tempo ou por não saber nem por onde começar, acabam deixando de viajar. Mas quando encontro alguém que conseguiu enfrentar essas dificuldades e se jogou no mundo, eu sinto como se fosse eu mesma viajando! E compartilhando essas experiências, eu quero despertar nos outros esse ímpeto de arrumar a mala e sair por aí.

Assim foi com a Bia. Eu a conheci quando era adolescente, mas nunca mais tínhamos nos encontrado. Recentemente trabalhamos juntas em um projeto e logo percebi que ela tinha histórias. E estava passando por um momento especial. Fomos tomar um café e ela me contou sua motivação em viajar e deixar tudo para trás por um tempo. Ela foi viajar sozinha pela Europa e curtir a própria companhia! Pedi para ela dividir aqui no blog, as alegrias e angústias dessa viagem. Espero que gostem e se sintam inspirados!

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Entrevista com Bia Gomes

P: Por que você decidiu viajar sozinha pela Europa?

B: Há uns 3 anos passei por grandes mudanças na minha vida e escutei por muito tempo dos meus amigos e parentes: você precisa ir viajar!
Acho que aos poucos fui amadurecendo isso dentro de mim! Fiz um curso de autoconhecimento em maio e foi o empurrão que faltava! Toda a coragem estava dentro de mim! Acordei um dia e pensei: quero ser uma  velhinha com histórias pra contar e não pensar que vivi a vida para pagar contas! Pedi as contas no trabalho, vendi meu carro e fui viajar sozinha pela Europa! Só com a passagem de ida e volta, 1 mala média e uma pequena, montes de livros e sonhos! (Confesso que li apenas um! E ainda dei alguns pelo caminho!)
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P: Quanto tempo você ficou viajando? Para quais lugares você foi?

B: Fiquei quase 3 meses viajando completamente sem roteiro pela Europa! Visitei a Alemanha, Dinamarca, Holanda, Suíça, Áustria, Hungria, Grécia, Itália, Vaticano, Portugal e Inglaterra!

P: Como você escolheu esse roteiro? Você planejou tudo antes ou foi sentindo o que queria fazer ao longo da viagem?

B: Eu tinha a casa de uma pessoa querida no norte da Alemanha que foi a minha base! Mas não fiquei lá mais de 15 dias!
Não tinha roteiro nenhum! Cheguei na Alemanha e comecei a pensar e planejar! Um amigo brasileiro estava em Copenhagen e me convidou para passar uns dias com ele: fui! De lá fui pra Amsterdam, que era o meu sonho maior da Europa! Lembro de acordar um dia e pensar “estou gostando muito daqui (Amsterdam)! Vou ficar mais 2 dias!”, estiquei a hospedagem e fiquei! Acordava, abria um mapa da Europa no celular e pensava… “Para onde eu vou?” E simplesmente ia! Essa liberdade foi transformadora!

Conheci muita gente do mundo inteiro, mas definitivamente me conheci de uma forma profunda e intensa. Estar longe de tudo e de todos faz com que você aprenda a lidar com as coisas de uma forma muito diferente.
Passei uns perrengues… claro! Nas primeiras estações que chegava lembro que tomava um chá de cadeira para conseguir chegar ao hostel… com o tempo fui ficando mais descolada!

P: Onde você se hospedava?

B: Fiquei em hostel na maioria dos lugares! E mesmo tendo conhecido muita gente, confesso que como estou um pouco mais velha essa parte é mais complicada…

P: O que você mais gostou de viajar sozinha pela Europa?

B: O que mais gostei foi a liberdade de escolher cada passo sozinha, sem me preocupar com nada além de mim mesma! Sentir o vento no rosto… e ser livre! Foi inexplicável a importância disso tudo pra mim!
Além disso, a forma como estar longe me aproximou da minha família foi mágica! ❤️
Até hoje temos o grupinho de whatsapp: “a viagem da Bia!” em que trocamos mensagem todos os dias! Minha família me apoiou e incentivou muito!

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P: E o que você menos gostou de viajar sozinha pela Europa?

B: Sinceramente, apesar de ter ficado tanto tempo viajando, acabei não conhecendo muito bem os lugares em que estive… é até engraçado, afinal foram quase 3 meses… mas me permiti não fazer aqueles roteiros exaustivos de turista… eu vivi um pouco cada cidade… e acabei não vendo tudo o que queria… mas essa parte nem é tão ruim porque assim vou ter que voltar!

P: Quais os prazeres e dificuldades de viajar sozinha?

B: O prazer é um pouco do que falei antes… a liberdade de escolher ir pra direita ou esquerda…  a hora que quiser e como quiser… até conheci pessoas que queriam passar o dia junto…. e eu gentilmente falava: podemos encontrar a noite pra jantar? Porque realmente queria poder mudar a qualquer momento… ver um lugar legal e parar… Quando você está com outras pessoas precisa conciliar as vontades!

As dificuldades: eu sou muito apegada a amigos e família e senti muita saudade, de algumas pessoas em especial! Chorei fazendo o passeio no canal de Amsterdam, vendo coisinhas em Budapeste… foram poucos momentos assim, mas eles existiram! Até postei uma foto no Instagram dizendo isso: não é 100% do tempo de alegria! Fiz até alguns facetimes chorando com a minha mãe pra desabafar as coisas que sentia! (E imagino o aperto no coração dela aqui no Brasil!)

E fiquei muito muito grudada com a minha irmã! A cada dois dias ela me mandava uma mensagem dizendo o quanto sentia a minha falta! Acabamos ficando ainda mais próximas.

E o que mais senti falta? De abraços de verdade! Sofri com isso! Porque é diferente um abraço com amor né?
Uma coisa boa foi que em algumas cidades fiquei em casa de amigos, e não sei explicar porque mas acabei indo em todas elas mais para o final da viagem, quando já estava bastante cansada. Me senti acolhida por eles… Milão, Londres, e Cascais! Foram os meus “lares” de verdade! Eles não fazem a menor idéia do que fizeram por mim nos dias em que estive com eles! Foi muito importante mesmo esse carinho! Lembro de agradecer a um amigo de Londres por ter cochilado a tarde no sofá na casa dele! A gente aprende a dar valor para coisas muito muito simples!

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P: Você quer contar alguma história ou dar uma dica específica para o Xplora?

B: Quando estava na Suíça, fui em um local que tinha um gramado e um lago com pessoas tomando sol. Levei uma canga e deitei para escrever no meu diário de viagem! Eis que levei uma picada de abelha! E sou ALÉRGICA! Depois de 2 dias, quando estava em Viena comecei a ter uma reação. A minha perna ficou o dobro do tamanho, quente, dolorida, áspera… tive que pegar mais leve e esperar melhorar pra viajar de novo. Fiquei lá quase uma semana! Acabei me apaixonando pela cidade! Fiz uma amiga da Turquia e fui muito feliz por ali. Mas foi um susto! E se eu não tivesse ficado tanto tempo talvez não conhecesse essa amiga querida, que ainda foi comigo pra Budapeste.

Outra coisa que me marcou foi que muitas pessoas me perguntaram o que eu aprendi e vivi na viagem Mas, algumas simplesmente não perguntaram. Disseram que viram em mim… Acho que eu estava transbordando alegria e mostrando de coração aberto o que estava vivendo e sentindo.
O que mais marcou para mim em toda essa experiência foi a coragem de ter ido viajar sozinha pela Europa sem planos e me permitir viver aqueles momentos. Isso ninguém nunca vai tirar de mim! A emoção de ver tanto! No mundo e em mim! Foi inesquecível! Agora fico aqui sonhando e planejando as próximas…

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Viajar sozinha pela Ásia – Entrevista com Isadora Coelho

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Eu estou num momento de autoconhecimento, de mudar de profissão, de me redescobrir. Por isso, toda semana tenho marcado cafés com pessoas inspiradoras. Em um desses cafés reencontrei uma amiga, a Isadora, uma pessoa que irradia alegria e boas energias. Ela estava partindo para a Ásia para viajar sozinha por diversos países da região!

Agora que a viagem está quase acabando, pedi para ela escrever um post para o Xplora contando um pouco da viagem e das motivações que a levaram a viajar sozinha e explorar a Ásia. Espero que gostem!

Entrevista com Isadora Coelho

P: Por que você decidiu fazer essa viagem para a Ásia e por que sozinha?

I: São muitos aspectos envolvidos nessa decisão. Mas, eu diria que o principal motivo para a viajar sozinha pela Ásia foi minha vontade de crescer, explorar e aumentar meu auto conhecimento. Estou em um momento de reflexão e muitas mudanças na minha vida. Resolvi dar um break sabático para repensar meu caminho profissional e meus relacionamentos.

Quando decidi fazer essa viagem pensei muito que gostaria que ela fosse uma viagem “contemplativa”, um momento para “lamber minhas feridas”. Mas, como tudo na vida, a viagem está sendo bem diferente do que esperava. Está sendo mais intensa e mais forte (no sentido de descobertas) do que “zen” e tranquila como eu imaginei.

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P: Por quanto tempo você vai viajar? Para quais lugares?

I: No total serão quase 2 meses de viagem. 56 dias para ser exata :)
Lugares visitados:
Tailândia: Bangkok, Phi Phi Island, Ao Nang, Chiang Mai, Chiang Rai, Koh Samui (para um retiro de yoga)
Vietnã: Ho Chi Minh City, Hoi An, Ha Long Bay e Hanoi
Laos: Luang Prabang
Camboja: Siem Reap e Sihanoukville
Cingapura
Dubai

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P: Como você escolheu esse roteiro? Você planejou tudo antes ou está sentindo o que quer fazer ao longo da viagem?

I: Eu busquei muitas dicas online, li trocentos blogs, pedi ajuda em fóruns e montei uma estrutura de roteiro inicial. Mas fui apenas com as duas primeiras semanas da Tailândia programadas, já que estava nesse momento com duas amigas. Daí em diante queria decidir tudo “on the go”. Mudei várias coisas do meu roteiro inicial e apesar de estar insegura antes de sair, foi extremamente fácil fazer isso ao longo da viagem. Aliás, as facilidades para turistas aqui no Sudeste Asiático são impressionantes, assim como a segurança para uma mulher viajando sozinha.

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P: Por que escolheu o Sudeste Asiático para essa viagem?

I: A escolha pela Ásia partiu da minha alma. Quando comecei meu processo terapêutico, alguns vários anos atrás, minha psicóloga pediu que eu levasse uma peça do meu armário por intuição para uma sessão. Levei uma sandália que comprei em Roma e que era um pouco étnica. No nosso processo, ela pediu para que eu fechasse os olhos e visse para onde esse objeto me levaria e ele me levou para os mercados flutuantes asiáticos, provavelmente algum tailandês. Na época não conhecia ninguém que tivesse ido ou que tivesse me contado em detalhes sobre uma experiência dessas, então só posso entender isso como um chamado.

Além disso, tenho uma forte conexão com o Reiki, com as filosofias budistas e hinduístas e queria descobrir mais sobre esse outro mundo, me aprofundar nesse universo.

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P: Quais os prazeres e dificuldades de viajar sozinha?

R: Eu já tinha viajado sozinha antes, mas por curto espaço de tempo. Dessa vez realmente estou vendo os sabores e dissabores desse tipo de aventura. Pelo lado positivo, é muito mais fácil conhecer gente, se conectar com novas culturas e fazer amizades. Além disso, você tem toda a liberdade para fazer tudo no seu timing, do seu jeito e da maneira que mais te agrada.

Pelo lado dos dissabores, tem momentos que você está mais vulnerável e queria ao seu lado seus familiares e amigos amados. Estive doente em lugares que mexeram comigo e acabei não fazendo amizades, me senti muito sozinha e triste nesses dias.

Outro ponto difícil é que você que está decidindo tudo, então, se algo não sai dentro da sua expectativa não tem ninguém a culpar a não ser você mesma. Por isso, tem que se controlar para não ficar muito na nóia e levar os perrengues de uma forma mais tranquila.

Por último, algo que é bom e ruim de viajar sozinha são os momentos de reflexão… é uma oportunidade incrível para se auto observar e avaliar seus pensamentos. Bom por esse lado, mas ruim porque às vezes acaba se deixando levar por um flow de muitos pensamentos já que são muitas e muitas horas consigo mesma no silêncio.

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P: Até agora, o que você mais gostou e menos gostou da viagem?

R: Difícil escolher! Mas diria que o que mais gostei foi da Tailândia (acho que praias paradisíacas perto de Phi Phi, o mercado flutuante e Chiang Mai). Gostei muito também dessa cidadezinha do Vietnã chamada Hoi An. Foram momentos mágicos vividos nesses lugares: muitas cores, cheiros, sensações. Acho que a Ásia é muito sensorial e isso me encanta demais! Esses lugares foram os que mais despertaram todos os meus sentidos. Confesso também que Cingapura com seu luxo, sua segurança e mix de pessoas incríveis e inteligentes também me fez ter vontade de ficar por lá!

O que menos gostei foi de Sihanoukville no Camboja. As praias são suuuuuper sujas, consequência de muita pobreza e de uma história extremamente triste (recente genocidio vivido no país). Ainda que não gostei objetivamente do lugar e de ter sido o que fiquei menos bem acomodada em todos os aspectos, acho que ele representou um momento importante para mim e me fez repensar em muitas coisas do que quero contribuir para o futuro e como quero lidar com a minha sombra. Por isso, não sei se o correto é dizer que não gostei. Foi o lugar que mais me tirou da minha zona de conforto.

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Dicas da Isadora para o Xplora

1. Vistos são super fáceis, mas vale checar e organizar antes de sair do Brasil. Ponto importante: para o Vietnã se você fizer o e-visa, vale pagar a taxa de agilizar a fila e cuidado, pois ele tem uma data de início fechada. Perdi um voo por isso. Ah e na Tailândia é um pouco confusa a chegada, vá direto para o Health Control.

2. Os apps são seus melhores amigos na decisão de viagens feitas em cima da hora. Booking.com (depois de várias reservas você vai se transformar em genius e aí tem 10% em várias acomodações), trip advisor, skyscanner, blinkist para ler resumo de livros, bom e velho Google maps. E aí vale muito a pena comprar chip apenas com internet em todos os destinos. A dureza vai ser se controlar para não ficar o tempo todo conectado, mas a diferença de fuso ajuda nesse sentido.

3. Se puder compre um Kindle, eu quis trazer vários livros e acabei pedindo para minhas amigas levarem de volta da Tailândia, porque o peso é chato de carregar e você acaba ficando com poucas opções sem o Kindle.

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4. Mala ou Mochila: isso foi um dilema para mim e acho que é uma decisão extremamente pessoal e depende do tipo de viagem que você vai querer fazer. Eu senti que estava num meio termo que era difícil definir: não era mochileira, mas também não era do luxo (nas duas primeiras semanas fomos um pouco mais do luxo).

Possivelmente poderia ficar em hostels, mas preferia hotéis, mas tinha ilhas e muitas paradas, então o que fazer?
Bom, decidi por uma mala de 23kg e não me arrependi. Levei mala dura e com um sistema de organização dela que mantive durante toda viagem. Achei que foi fácil demais, como meu armário portátil. Usei muitas lavanderias ao longo da viagem. Levar vários acessórios me ajudou a enjoar menos das roupas. Acho que foi a mala mais bem pensada da minha vida.

Porém não tive espaço para comprar, não queria ficar carregando o peso! Isso pode ser frustrante porque aqui é ótimo comprar, então talvez numa próxima viagem, eu traria ainda menos coisas, tipo 15kg numa mala de 23. Ahh e dá para pagar sua bagagem em todos os voos. Eles são flexíveis nos que já tem bagagem de 20kg inclusos, só paguei excesso 1X e foi baratinho.

5. Entregue-se a diferentes experiências: aula de culinária, passeio em tours de um dia, escaladas, diferentes tipos de comida. Me descobri demais nessa jornada. Fiz o que meu coração estava pedindo em cada momento, fiz até muito nada, o que também foi ótimo.

6. Conversar com pessoas que são diferentes de você: a minha maior descoberta aqui é que tem muuuita gente aventureira no mundo e vivendo um estilo de vida tão livre e ainda assim trabalhando e vivendo bem. Vários digital knowmads por aí… fiquei com muita vontade! Vou achar uma maneira de incentivar ao máximo as pessoas a fazerem um período sabático e enxergarem que tem tantas possibilidades nessa vida. Meu primeiro passo é essa entrevista aqui! Espero ter podido inspirar um pouquinho algumas pessoas 😉
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